'Camuflado' em floresta, recanto de Stalin é atração turística

Casa fica escondida entre grossas árvores de montanhas e está toda pintada em tons verdes

A dificuldade para avistá-lo não pode ser uma coincidência. Embora hoje seja apontada como um dos museus de Sochi, uma das cidades-sede da Copa do Mundo da Rússia, a casa de verão onde Joseph Stalin passou vários meses entre o fim da década de 1930 e o início dos anos 1950 fica escondida entre grossas árvores de montanhas e está toda pintada em tons verdes, em uma bem-sucedida tentativa de proteger uma das maiores lideranças políticas mundiais do século XX.

Figura importante da Revolução Russa de 1917, Stalin sucedeu Vladimir Lenin e comandou a Rússia até 1953. Neste período, foi fundamental para a derrota dos Aliados e da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial e também para transformar o país em uma superpotência mundial, o que incluiu a expansão do seu território, além de ser elogiado pelas melhoras nas condições sociais da população. Mas também acabou sendo responsável por violações graves dos direitos humanos, com genocídios e expurgos, que foram mais expostos após a ascensão de Nikita Khrushchev ao poder em 1956.

E assim como Vladimir Putin, o presidente da Rússia, possui deferência especial por Sochi, que em 2014 foi palco dos Jogos Olímpicos de Inverno e agora receberá seis partidas da Copa do Mundo, Stalin tinha carinho pela cidade. É lá onde ele possuía uma casa de veraneio, que também visitava no outono com sua família, aproveitando as temperaturas mais agradáveis de lá. É uma das suas "dachas", residências oficiais para férias, sendo que esta foi construída em 1937, a partir de um projeto do arquiteto Miron Merzhanov.

A reportagem do Estado visitou a "dacha" de Stalin em Sochi, que passa por obras de restauração, mas que mantém sua estrutura intacta, com acabamento de madeira, sofás de couro e grandes candelabros. A residência chama a atenção pela larga extensão, pelo uso da cor verde para camuflar a ação de inimigos do ditador, que contava com um plano de segurança para que o dirigente russo escapasse caso fosse alvo de qualquer ação rival.

Hoje ponto turístico, a "dacha" pode ser acessa por 300 rublos (cerca de R$ 18), sendo a que a visita que contou com a participação da reportagem envolvia um grupo de cerca de 25 pessoas, todas russas, mesmo dialeto utilizado pelo guia na sua detalhada "aula" sobre Stalin e seu recanto.

As fotos e documentos apresentados durante a visita mostram que muitas decisões estratégicas de Stalin para a União Soviética foram tomadas na dacha, que também conta com fotos da família e a do histórico encontro com o britânico Winston Churchill e o norte-americano Franklin Roosevelt, além de outra ao lado do líder chinês Mao Tse Tung. Além disso, há um boneco de cera do ditador, em tamanho natural, e uma cama onde ele dormia, embora, por questões de segurança, isso ocorresse sempre em cômodos diferentes, além de objetos de uso pessoal, como um casaco e um telefone, que possuía com conexão direta com Moscou.

Na "dacha", que chama a atenção pelos tetos altos, também é possível conhecer quais eram os passatempos preferidos de Stalin. Em um dos cômodos, por exemplo, há uma grande mesa de sinuca. E outro esporte que parecia lhe agradar era o xadrez. Além disso, uma grande piscina coberta dá o tom de como ele provavelmente relaxava enquanto era um dos mais poderosos homens do mundo.

Também há uma vista bela e especial do Mar Negro, grande atração de Sochi, onde a população pode se divertir, tendo de uma forma ou de outra, a sua vida influenciada pelas decisões que Stalin tomou no passado. E agora pelos desejos e definições de Putin, que nunca visitou a "dacha" do ditador.

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