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Atualizado em domingo, 16 de dezembro de 2012 - 20h39

Tite, o maior técnico do Corinthians?

Com a Libertadores, técnico libertou o corintiano de cem anos de gozações dos rivais. Com o Mundial, consolidou um trabalho vencedor
Tite recebe o certificado de campeão do Mundial de Clubes / Toshifumi Kitamura/AFP Tite recebe o certificado de campeão do Mundial de Clubes Toshifumi Kitamura/AFP

Não falta mais nada. Com a vitória sobre o Chelsea neste domingo, em Yokohama, no Japão, o alpinista Tite cravou o Mundial no alto da montanha do futebol. Já eternizado na história do Corinthians pelo título do Brasileiro, em 2011, e o da Libertadores, este ano, o treinador foi alçado a outro patamar: a Fiel estará aos seus pés. Para sempre. 

 

Posto que, mesmo dentre os mais fanáticos, encontrará quem o considere insuficiente para comparações com mestres do passado. A unanimidade é burra, diria Nelson Rodrigues, mas não há dúvidas: com o título mundial atravessando o planeta, a discussão  sobre se Tite pode ser considerado o maior comandante da história do Timão ganha força. Muito força.

 

Com a Libertadores, Tite libertou o corintiano de cem anos de gozações dos rivais. Com o Mundial, consolidou um trabalho vencedor, eternizou uma marca. A da treinabilidade. E só alimenta seus números alvinegros. Ainda assim, ele não se considera o maior de todos.

 

A partida deste domingo foi a de número 197 pelo Corinthians. Ele já superou Nelsinho Baptista, que tem 192, e se tornou o quarto técnico com maior número de jogos na história do clube. Ainda está longe do recordista Oswaldo Brandão (441), mas garantido em 2013 após renovar seu contrato, pode superar Amílcar Barbuy, o terceiro, com  240 partidas, e José Castelli, com 256. No entanto, ele já é considerado o treinador que mais comandou o Timão nos últimos 35 anos.

 

Nos 197 jogos realizados, foram 102 vitórias, 55 empates e 40 derrotas,  com um aproveitamento de 61% dos pontos. Em 2012, são 76 partidas, com 39 vitórias, 23 empates e 14 derrotas. O recordista Oswaldo Brandão tem aproveitamento superior, de 64%, mas jamais conseguiu alcançar o grande sonho corintiano: a conquista da América.

 

Mais do que os números, pesa a favor de Tite sua fantástica trajetória no Corinthians. A relação entre o técnico e o clube começou em 2004, quando Tite assumiu o clube em posição delicada no Campeonato Brasileiro e chegou ao quinto lugar na competição. No ano seguinte, uma desavença com o iraniano Kia Joorabchian, da MSI, provocou a sua saída.

 

'O maior treinador da história do Corinthians'

 

O retorno ocorreu em 2010. Em 2011, veio o primeiro grande percalço: a eliminação diante do Tolima, da Colômbia, na pré-Libertadores, abalou a estabilidade do treinador, mas a diretoria, em uma manobra pouco comum no futebol brasileiro, bancou a permanência e reiterou a confiança em Tite. Os frutos foram colhidos já no segundo semestre, com campanha irrepreensível e a conquista do Campeonato Brasileiro.

 

Mas foi 2012 o ano da consagração: o inédito título invicto da Copa Libertadores, com uma das melhores campanhas da história da competição. A apoteose foi na manhã deste domingo, com uma grande atuação, vitória histórica sobre o Chelsea e o bicampeonato mundial.

 

É importante ressaltar que o Corinthians de Tite carrega marcado a ferro o estilo do treinador. Uma equipe sem uma grande estrela do nível de Neymar ou Messi, que encontra sua força no jogo coletivo e na disciplina tática. Uma equipe marcada pela vertiginosa subida de produção de jogadores como o lateral Fábio Santos, e, no primeiro semestre, do zagueiro Leandro Castán.

 

O alpinista chegou ao topo, mas não perdeu a sede de vitórias. Antes da volta ao trabalho, no entanto, uma pausa para saborear a vitória e voltar aos braços da mãe Ivone Bachi, que o aguarda para cumprir o ritual da família. 

 

O filho volta à casa tendo cumprido a promessa que fez para a mãe. O mundo hoje é de Tite. É dos Bachi. "Nesse momento, só posso me lembrar do meu marido, porque era tão orgulhoso do filho, das conquistas dele. E com certeza queria estar aqui agora. Parabéns, meu filho!", afirmou a mãe Ivone.

 

Na casa da mãe, o feijão, arroz e carne de panela estão à espera de Tite. E o mundo inteiro, agora alvinegro, está a seus pés.

 

OS OUTROS GRANDES TÉCNICOS DO CORINTHIANS

 

Oswaldo Brandão

Pelo Timão, ganhou os Campeonatos Paulistas de 1954 (do 4 Centenário) e de 1977, que encerrou o jejum de 23 anos sem título importante do clube. Gaúcho de Taquara, morreu em julho de 1989, com 72 anos. É o recordista de partidas no comando do Corinthians: 441.

 

Oswaldo de Oliveira

Era auxiliar de Vanderlei Luxemburgo em 1998. Assumiu como técnico em 1999, venceu o Brasileiro e o Paulista, em 1999, e o Mundial, em 2000. Nos braços da Fiel, foi exaltado e carregado.

 

Vanderlei Luxemburgo

Carioca de Nova Iguaçu, teve duas passagens pelo clube. Na primeira, foi campeão brasileiro em 1998 e deixou o legado para o título mundial, mas a eliminação na Libertadores de 1999 para o rival Palmeiras foi decisiva para a saída. Na segunda, ganhou o Campeonato Paulista de 2001.

 

Nelsinho Baptista

Paulista de Campinas, comandou o Timão por três vezes. Na primeira passagem, ganhou o primeiro Brasileirão do clube, em 1990. Na última, em 2007, treinou o time nos dez últimos jogos do Campeonato Brasileiro e foi rebaixado. É o quarto que mais comandou o Alvinegro: 192 partidas

 

 

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