Jogador vence grave doença para brilhar na Lusa

Bruno Rios, que superou uma aplasia medular - doença semelhante à leucemia -, recomeça na Portuguesa

"Eu tinha fé". A frase proferida por Bruno Rios resume bem o momento que o atleta passou durante os dois anos mais difíceis de sua vida. Hoje considerado o 12º jogador da Lusa, o meia enfrentou um longo período de tratamento para se recuperar de uma doença grave.

Diagnosticado com aplasia medular - doença raça, semelhante à leucemia -, no fim de 2012, Bruno viu desmoronar uma carreira iniciada com esperança. Aos 17 anos, ele chegou a ser convocado pela Seleção Brasileira da categoria, o que lhe rendeu um contrato com o Vasco. Cinco anos depois, já com 22, a disputa não era mais por uma vitória dentro de campo. Era uma luta pela vida.

A aplasia medular é uma doença que ataca a medula e impede a produção das células sanguíneas, que são formadas de leucócitos, hemácias e plaquetas. O ideal é ter de 150 mil a 440 mil plaquetas por milímetro cúbico de sangue. Bruno tinha apenas 3 mil.

"Fui pego de surpresa. Nunca tive nada que poderia desencadear nessa doença. Ela veio do dia para a noite. Saber que isso poderia me levar a óbito a qualquer momento foi bem difícil, mas a gente sempre acreditava em Deus e deixava nas mãos dele", disse ao Portal da Band.

"Mas não fiquei me perguntando o motivo, porque quando fazemos isso, parece que estamos querendo que outra pessoa tenha. Aconteceu comigo porque tinha que acontecer", complementou.

Sem possibilidade de um transplante de medula, já que seus irmãos não eram compatíveis, Bruno Rios viu o médico Luiz Fernando Pracchia optar pelo tratamento com um remédio produzido industrialmente, os antimocíticos.

Volta por cima

Depois de um longo período, conseguindo os comprimidos em postos de saúde por causa do alto valor, a melhora aconteceu. Após quatro meses de internação e dias intermináveis em casa, o hospital lhe deu alta, no fim de 2014.

"Eu acreditava sempre, mas era uma situação complicada. Eu pensava sempre na minha vida, e quando tive a oportunidade de voltar a jogar, não esperava. Foi uma vitória muito grande. Fazer o que eu amo e num clube que amo... Foi um recomeço", afirmou.

O recomeço citado por Bruno aconteceu na Lusa, o clube que o meia não esconde o carinho. Em 2014, o técnico Ailton Silva lhe deu uma oportunidade, mas ele jamais entrou em campo. Após passagem pelo Parnahyba, do Piauí, em 2016, o meio-campista voltou para a Portuguesa. E desta vez para jogar.

"É uma alegria muito grande. Toda vez que paro para pensar onde estou... A Portuguesa é o clube que me revelou e que eu amo. Não escondo de ninguém. Às vezes falta até palavra para mostrar o quanto estou feliz", comemorou. "Pensei que nunca mais jogaria futebol”, lembrou.

Na vitória sobre o Juventus por 3 a 0, no último domingo, pela Copa Paulista, o meia foi titular pela primeira vez. Desde quando isso não ocorria? "Fazia muito tempo (risos). No final de 2016, eu disputei um campeonato em Suzano, mas não era registrado. Só joguei para não ficar parado. O último jogo como titular mesmo foi pelo Parnahyba".

Rotina

100% recuperado da doença, Bruno Rios agora faz exames rotineiros, apenas para controlar a saúde. "Hoje eu faço os controles a cada seis meses, só para saber a situação mesmo, porque a probabilidade da doença voltar é a mesma de uma pessoa que nunca teve".

Antes do encerramento da entrevista, o jogador, que jamais esquecerá tudo que passou em sua recuperação, fez questão de mandar um recado a todos. “Quero conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de medula óssea. Não dói nada e pode salvar muitas vidas", concluiu o meia.

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