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Atualizado em quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 - 01h23

Marlene ataca Sanchez e revela fraude em 98

Ex-presidente do Corinthians crítica gestão de Andrés Sanchez e afirma que Alberto Dualib usou urna com fundo falso para se eleger
Marlene Matheus reclama que atual diretoria terceirizou o clube e só dá prejuízo / Arquivo/AE Marlene Matheus reclama que atual diretoria terceirizou o clube e só dá prejuízo Arquivo/AE

A ex-presidente do Corinthians Marlene Matheus não mediu palavras na entrevista concedida ao Portal da Band. No bate-papo por telefone, ela soltou os cachorros contra a atual diretoria alvinegra, afirmou que votará em Paulo Garcia, “corintiano de verdade”, nas eleições de sábado e revelou fraude nas urnas do Timão em 1998, quando concorreu ao posto de mandatária com Alberto Dualib. 

 

O principal alvo da viúva do folclórico Vicente Matheus foi Andrés Sanchez que, segundo ela, está preocupado em colocar políticos infiltrados do PT dentro do clube. “Ele era uma pessoa boa, mas o poder mudou tudo. Ele foi influenciado por muita gente. Não entendo a vida desse rapaz. De repente, fica amigo do Ricardo Teixeira e está ganhando R$ 75 mil por mês na CBF. O Vicente foi correto e honesto e nunca chefiou uma delegação da seleção brasileira. Gente honesta não tem vez mesmo.”

 

Portal da Band: Qual a sua opinião sobre a atual diretoria?

Marlene Matheus: O Corinthians ganhou alguma coisa na atual gestão? Só tem dívida. Administração é boa quando não tem dívida. Administrar tem que ter amor, olhar o associado. Ele (Andrés Sanchez) dizia que estava de saco cheio de ser presidente. Tanto é que deixou o cargo antes do fim do mandato. Um cara que ama o Corinthians não iria ter vontade de abandonar assim.” 

 

Mas a atual gestão conseguiu tirar o estádio do Corinthians do papel?

Não sou contra o estádio. Quero nossa casa mais do que ninguém. O problema é a forma como isso aconteceu. Essa diretoria infiltrou o PT (Partido dos Trabalhadores) no Corinthians. Querem colocar o PT no Corinthians, que é um clube de massa. O corintiano tem que ter estádio, mas tinha que vir de outra forma. Agora quero ver como vão pagar isso tudo. Quem vai pagar é o Corinthians. O Lula vai aparecer? O Andrés vai aparecer? É uma dívida que o Corinthians vai pagar.

 

O Corinthians está tentando colocar políticos do PT como sócio?

Tem um monte de conselheiro que é político do PT e nunca frequentou o clube. Mas podia ser pior. 

 

Como assim?

Em uma reunião do Cori (Conselho de Orientação do Corinthians), o Luis Paulo Rosenberg (diretor de marketing) queria aumentar o número de sócios e sugeriu abrir 30 mil vagas para sócios eleitores, que só votam e não precisam necessariamente frequentar o clube. Fiquei indignada. Me levantei na hora e pedi para ele ficar quieto. Gritei: ‘Você quer colocar o PT aqui. De qual partido você é?’. Alertei o Cori e ficou por isso mesmo. Felizmente.

 

Você não gosta do Rosenberg? 

Não vejo transparência. Vejo muitas coisas obscuras na gestão dele. Quem é o Rosenberg? É um marqueteiro que não tem nenhuma história com o clube.

 

Ele foi um dos responsáveis pela vinda do Ronaldo e deu mais visibilidade ao marketing do Corinthians.

O Ronaldo foi maravilhoso. Mas fui contra 80% do dinheiro arrecadado ser do Ronaldo e 20% para o Corinthians. Quem é o Ronaldo perto do Corinthians? Tudo o que eles fizeram foi privatizar o Corinthians. As lojas... Quem ganha é quem tem a franquia.

 

Qual a porcentagem repassada ao Corinthians das franquias?

Nunca me deram os contratos das lojas. Elas têm que ser do Corinthians. Entra muito dinheiro. O Andrés vendeu para todo mundo, quem está rico é a franquia e o Corinthians fica endividado. Tudo tem que ser do Corinthians.

 

Sabe em quanto a dívida do Corinthians aumentou na gestão do Andrés Sanchez?

Ele assumiu com a dívida em R$ 90 milhões. Hoje está com algo em torno de R$ 300 milhões. Mas contas a gente não vê. Ninguém mostra o balancete. 

 

O Mario Gobbi é o candidato do Andrés Sanchez nas eleições do próximo sábado. O que acha dele? 

No Corinthians acontecem coisas de arrepiar. O Gobbi aparece de repente, não sabe nada do Corinthians, nunca frequentou o clube e teve apoio do Andrés. É um delegado que não tem vivência no futebol. O Andrés foi muito infeliz. 

 

A senhora gostaria de enfrentá-lo nessas eleições?

Gostaria de ser candidata. Mas com esse pessoal de hoje não dá. Eles querem sair no jornal, mas não trabalham. É muita vaidade e poder que o cargo proporciona. 

 

Quem você apoia?

Tive tanta desilusão que resolvi não apoiar ninguém. Não fiz campanha. Mas meu voto vai para o Paulo Garcia. 

 

Por que?

Ele é mais simples. Ele é puro, correto. Não desvirtua. Na época que apoiei o Andrés, ele também era mais simples. Mas sentou na cadeira de presidente e deturpou tudo. Não teve força e foi dominado. Ele deixou se influenciar. Ninguém nunca me influenciou.

 

A senhora ainda conversa com o Andrés? 

A última vez foi em 2007, quando era vice-presidente social do clube e ele havia acabado de assumir a presidência. Fui falar com ele que não concordava com algumas coisas. Fui muito discriminada na gestão do Andrés. Os funcionários não me respeitavam. Fui reclamar disso e ele ficou quieto. Para mim, quem cala consente. Aí pedi demissão e nunca mais conversamos.

 

Depois de presidir o Corinthians entre 1991 e 1993, a senhora tentou ser novamente eleita em 1998, mas perdeu para o Alberto Dualib. A partir daí você foi perdendo espaço no clube... 

Vou te contar uma coisa. Quatro anos depois daquela eleição que saí derrotada, o João Bosco, assessor na época, admitiu que teve falcatrua. Ele me contou que fizeram um tampão falso e colocaram votos para o Dualib lá. Deu uma diferença enorme de votos e a expectativa é que desse uma diferença mínima. As pessoas desconfiaram na época. 

 

E qual atitude tomou a partir daí?

Não tinha o que fazer. Uma mulher sozinha... Todo mundo sabia o que foi feito comigo, mas ninguém queria mudança.

 

A senhora teme que isso ainda possa acontecer hoje?

Já falei para o Paulo (Garcia): ‘fiquem de olho porque o negócio é mais embaixo’. Ainda mais com estádio, com o dinheiro que vai entrar no clube. Vamos ver. 

 

A atual gestão reconhece o trabalho feito por seu ex-marido?

Que nada. Ele é deixado de lado. Fizeram o centro de treinamento e colocaram o nome de Joaquim Grava. Por obrigação, deveria ter alguma coisa dele. Menosprezam o Vicente. Mas tudo bem. Cada vez que omitem, mais os associados falam dele. Fico grata, que não foi em vão.

 

Qual recado daria para o futuro presidente?

Tem que vivenciar o clube. E presidir com amor ao Corinthians

 

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