Poker é esporte? Especialistas opinam

Portal da Band aproveitou a abertura da temporada 2017 do BSOP para ouvir a opinião de jogadores de poker e atletas de outras modalidades

“Atividade física regular e metódica, como recreação, competitiva ou como forma de manter o condicionamento físico, que envolve exercícios de vários tipos, praticados individualmente ou em equipes”. Assim o dicionário Aulete define a palavra “esporte”. Futebol, vôlei e basquete são exemplos óbvios de modalidades que ilustram o termo. Mas e o poker? Se encaixaria nesta definição?

O Portal da Band aproveitou a disputa da primeira etapa da temporada 2017 do Campeonato Brasileiro de Poker (BSOP) para consultar jogadores da modalidade e atletas de outros esportes para saber as respectivas opiniões, que estão abaixo:

André Akkari, jogador profissional de poker, vencedor do BSOP 2011: “Sim. Primeiro, porque tem um órgão mundial que decide o que é esporte ou não, e esse órgão decidiu que poker é um esporte mental. Há um órgão para os esportes mentais, que é a IMSA (International Mind Sports Association). Foi feito um pedido da Federação Mundial de Poker e eles aceitaram o poker como esporte. Mas, mais do que a burocracia, poker é esporte porque tem estratégia, tática, adrenalina, é social, gera entretenimento como o esporte. Em todos os aspectos de competição, de premiação, o poker está envolvido. Por ser característica de um esporte mental, eu acho que o que mais exige o jogador é o trabalho estratégico, o raciocínio lógico. Tudo que envolve concentração e foco. A parte técnica do poker é muito pesada. Ele tem características completamente diferentes de um esporte tradicional como o futebol, o vôlei, que exigem mais o físico. Também têm o conceito tático, estratégico, mas são diferentes. O poker vai muito mais para o lado da mente do que para o aeróbico”.

Sérgio Prado, comentarista, blogueiro do site PokerStars: “Poker é esporte, sim. A gente tem uma cabeça muito condicionada a achar que tudo que é esporte precisa ter um esforço físico visível. Mas o esforço que um jogador precisa fazer um esforço mental e até físico que as pessoas que não jogam não percebem. Poker é um esporte da mente, um esporte que puxa muito e que desgasta demais. Você passa 12 horas diárias concentrado e, se você errar um pouco, se você sair do foco, você perde o seu torneio e vai embora. Isso mostra que você tem que ter um preparo mental e físico muito grande. Eu considero um esporte dos mais legais que tem”.

Maurren Maggi pokerGustavo Mesa/Portal da Band

Maurren Maggi, campeã do salto em distância em Pequim 2008, campeã do Desafio das Estrelas da etapa de São Paulo do BSOP em 2016: “Não considero um esporte. Mas, ao mesmo tempo, ele me trouxe sensações que só o esporte me dá”.

Bruno Soares poker puntaGustavo Mesa/Portal da Band

Bruno Soares, tenista campeão do Australian Open e do US Open nas duplas em 2016, vencedor do Desafio das Estrelas da etapa de Punta del Este do BSOP em 2017: “No geral, a maioria das pessoas associa esporte à atividade física, o que de certa forma faz sentido. Mas independentemente de chamar o poker de esporte da mente ou de jogo, eu acho que o mais importante já está sendo feito, que é declarar que o poker não é um jogo de azar. Então seria como os jogos de tabuleiro, ou os egames, que estão ficando populares. É outra linha de esportes, que envolvem outras habilidades, não só a parte física. Todo esporte, todo jogo, requer certos tipos de habilidade. Eu acho que o esporte é qualquer coisa que a gente faz de forma competitiva. Você vai na Europa e campeonato de dardo é supervisto. Eu acho que o esporte está muito mais na essência da competição, da rivalidade, do confronto, do que em algo puramente físico”.

Igor Federal TrafaneGustavo Mesa/Portal da Band

Igor “Federal” Trafane, presidente do BSOP: “Sim. Existem órgãos no mundo que definem os padrões de qualquer coisa na vida. Esse órgão é chancelado para ter o direito de falar isso. Existem órgãos como a WADA, que dize se o cara está ou não dopado, por exemplo. No Brasil, vou pegar um exemplo totalemnte diferente. O cara é culpado ou inocente? Existe um órgão, que é a Justiça brasileira, que vai dizer isso. O mundo muitas vezes precisa de órgãos que digam o que são as coisas, para não cair no achismo. No mundo, dois órgãos dividem essa primazia: o COI, Comitê Olímpico Internacional, e o SportAccord, ambos trabalham em fina sintonia com a ONU. Por que isso? Porque estava tendo muita interferência política no esporte. Em 1980, os EUA boicotam a Olimpíada de Moscou. Em 1984, a União Soviética boicota a Olimpíada de Los Angeles... Nessa época teve uma reunião no Conselho Mundial do Desporto, que criou a Carta Mundial do Desporto, dizendo que nações e corpos políticos dessas nações não podem interferir no esporte. Quem define o que é esporte ou não são esses órgãos mundiais. Portanto, não sou eu, não é você, não é a velhinha na janela em Pindamonhangaba ou o tiozinho na praça de Carapicuíba que vai dizer se é ou não é. Existe um órgão para fazer isso. Dentro desse órgão, existe um sub-órgão para esportes aquáticos, outro para esporte de luta, outro para esportes a motor e tem um para os esportes da mente, que se chama IMSA, Internacional Mind Sports Association. Portanto, o órgão mundial que vai dizer se é esporte ou não, chancelado pela ONU e chancelado pelo Brasil, que é signatário da Carta Mundial do esporte, é a IMSA. E hoje nós somos filiados à IMSA. Agora, eu entendo que a tiazinha de Carapicuíba não ache, tranquilo. Assim como até hoje tem gente que acha que a mulher não deve ter o mesmo direito do homem. Eu não respeito, mas entendo. Só que não interessa o que elas acham, a mulher tem o mesmo direito do homem. E o poker é esporte, já que o órgão que tem que dizer se é diz que é”.

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