Comitê de ética da Fifa não deve parar em Blatter e Platini

Após afastar os dirigentes por oito anos do futebol, membros do órgão dizem que existem outros casos no horizonte

Em grande parte anônimo, sem poderes de polícia e com sua independência algumas vezes questionada, o comitê de ética da Fifa tem sofrido para ser levado a sério na luta contra a corrupção na entidade que controla o futebol mundial.

Enquanto autoridades norte-americanas e suíças estamparam as manchetes com operações em um hotel de luxo em Zurique e o indiciamento de 27 autoridades do futebol, o próprio órgão da Fifa teve de afastar as críticas de que é ineficiente.

Mas, ao longo do último ano, o comitê mostrou seus dentes, culminando na decisão de segunda-feira de suspender por oito anos o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o da Uefa, Michel Platini. Fontes próximas ao painel de ética do futebol mundial disseram à Reuters que há muitos mais casos no horizonte.

Blatter e Platini foram os mais altos dirigentes até o momento punidos pelo órgão, que também impôs proibições vitalícias para ex-integrantes do comitê executivo da Fifa, incluindo Mohamed Bin Hammam, do Catar; Jack Warner, de Trinidad e Tobago; e Chuck Blazer, dos Estados Unidos, por corrupção.

Algumas das pessoas sob investigação que já foram nomeadas incluem o ex-capitão da Alemanha Franz Beckenbauer, considerado um dos maiores jogadores da história. Beckenbauer nega irregularidades.

A Fifa entrou em crise quando autoridades dos EUA anunciaram o indiciamento de 14 pessoas em 27 de maio, sete das quais foram detidas em Zurique, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, dois dias antes do congresso anual da Fifa.

Em resposta aos escândalos, o comitê de ética foi reformado e dividido em duas comissões, uma para realizar investigações e outra para distribuir sanções.

Mesmo assim, ele ainda enfrentou alegações de que não tinha determinação e que Blatter tinha controle nos bastidores, algo que o investigador-chefe do comitê, Cornel Borbely, classificou como "absurdo" em uma entrevista à Reuters em março.

"Eu não recebo quaisquer ordens da Fifa - absolutamente nenhuma", disse ele. "Só eu decido se abro, conduzo e concluo um inquérito. Eu sou completamente independente de quaisquer autoridades da Fifa". "Quem violar o código de ética entrará em nosso alcance, independentemente da hierarquia, posição ou cargo", acrescentou Borbely.

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