“Portuguesa não tem R$ 1 para montar um time”

Novo presidente da Lusa, Alexandre Barros revela ao Portal da Band asfixia financeira do clube por causa da penhora de receitas em processos trabalhistas; ele também descarta uma parceira com o Audax apenas para “usar a marca”

O jornalista e apresentador Alexandre Barros terá um desafio e tanto no comando da Portuguesa. Eleito presidente no último dia 5, ele assumirá em 1º de janeiro de 2017 um clube na Série A2 do Paulistão e na Série D do Brasileirão. Pior que isso, a Lusa tem uma dívida de cerca de R$ 200 milhões e está com todas as receitas bloqueadas pela Justiça do Trabalho.

“Não tem R$ 1 no caixa para montar o time”, revelou Alexandre Barros em conversa com o Portal da Band por telefone nesta terça-feira. Apesar da situação, ele espera definir o comando técnico do time ainda nesta semana. “Acho que até sexta teremos um novo treinador, que ajudará no projeto de remontar a Portuguesa”.

Alexandre Barros também falou sobre uma suposta parceira com o Osasco Audax, do empresário Mário Teixeira. O novo presidente explicou que a sondagem existe, mas que ainda não teve nenhuma conversa oficial. “Se for uma forma de investimento no time, nós vamos conversar. Mas se for para apenas usar a marca na vaga do Oeste na Série B, não interessa.”

A Portuguesa estreia na A2 do Paulistão em 29 de janeiro contra o Barretos, no Canindé. Apesar das dificuldades, a Lusa precisará triunfar ao final de 2017, na Série D, para garantir a disputa de campeonatos nacionais. Se fracassar novamente, o clube correrá o risco de jogar apenas torneios regionais em 2018.

Confira abaixo a entrevista com Alexandre Barros.

Portal da Band – Qual é a real situação financeira da Portuguesa para 2017?
Alexandre Barros –
Catastrófica! A Portuguesa não tem R$ 1 no caixa para montar o time. As dívidas estão em torno de R$ 200 milhões. O maior problema, no entanto, é que criaram uma metodologia de que a Lusa é má pagadora, mas o clube não tem dinheiro. Isso porque bloquearam todas as receitas para pagar dívidas trabalhistas. Falo de pagamentos de sócios, rendas, aluguéis... Faz quase um ano que a Justiça do Trabalho, da 59ª Vara em específico, bloqueou 100% das receitas. É diferente para outros clubes, como Bragantino, Marília, Bahia, Botafogo-RJ... Poderia ficar o dia todo citando aqui. Eles têm 30% das receitas penhorados. Se fosse com a Band, por exemplo, que ficasse sem as receitas, como vocês iriam pagar água, luz, telefone e os funcionários? No Canindé é assim.

E qual solução pode ser encontrada no meio desse tsunami de problemas financeiros?
A primeira coisa é separar o futebol do clube. É o que vamos fazer quando assumirmos, em 1º de janeiro.  Vamos saber separar isso. O futebol pagará o futebol. O clube pagará o clube. Vamos montar um corpo jurídico para analisar esse processo e tentar paralisar esse bloqueio de 100% das receitas para algo justo. Ninguém quer deixar de pagar. Concordamos com as dívidas, mas buscamos uma estimativa de 30% de bloqueio das receitas, como ocorrem com os outros. A Lusa não entrou no Profut (Programa do Governo Federal que tenta ajudar os clubes no pagamento das dívidas), por exemplo, pois não tinha dinheiro em caixa para dar a entrada. Além disso, temos outra missão que é tentar suspender o leilão do Canindé, em curso na Justiça.

Já definiu o comando técnico, ou quem gerenciará o futebol?
Acredito que até o final desta semana a Portuguesa vai definir o treinador para a A2 do Paulistão. Conversamos com alguns deles, explicamos o projeto e estamos discutindo os valores para chegar a uma escolha.  Orlando Cordeiro de Barros foi vice de marketing e agora vai para o futebol. O ex-presidente Luis Iáuca está acima disso, numa espécie de consultor, de um ministro, para ajudar com sua experiência.

Antes de vencer as eleições na Portuguesa, Alexandre Barros atuou como jornalista e apresentador. Foto: Arquivo Pessoal

A Portuguesa conseguirá montar um time até o final do ano?
A Lusa tem de estrear na A2 (contra o Barretos, em 29 de janeiro) com 22 jogadores inscritos, e ter 28 nomes até 10 de março. Temos de ter tranquilidade para contratar. Melhor não ter jogador meia-boca do que ter. Como eu vivi o futebol à beira do gramado, como jornalista, sei quem tem condição ou não. Vamos terminar a análise do elenco que está aqui e contar com as indicações do futuro treinador. Costumo utilizar uma expressão: ‘O homem mais rápido do mundo é o Bolt. Ele sai atrás, mas chega na frente’. Vamos sair atrás, isso é notório e público, mas vamos brigar pelo acesso.

Neste ano, a A2 do Paulistão terá redução de 20 para 16 clubes, ou seja, com seis rebaixados. Não é uma fórmula ruim para a Portuguesa aceitar, visto que o clube tem dificuldades para montar um elenco?
Concordo com você, mas é uma exigência da TV, que paga o campeonato. Ela (Globo) quer 16 clubes na primeira, na segunda e na terceira. Eles querem valorizar a A2 com isso. Não dá para chorar. Esta é a regra. Temos de aceitar e se enquadrar. Vamos buscar o nosso objetivo, sem olhar para trás. É ruim não só para a Portuguesa, mas para todos. Temos marca, história. Somos um gigante adormecido. O problema foi que apequenaram a Portuguesa nos últimos anos.

Muito se comentou de que a Portuguesa fecharia uma parceria com o Osasco Audax para o próximo ano. Esta história morreu, ou as negociações estão em andamento?
Eu ainda não fiz parte de nenhuma dessas reuniões. Como disse, não assumi ainda. Só em primeiro de janeiro. O que a gente sabe internamente é que o Audax queria a marca da Portuguesa para jogar a A1 do Paulistão e a Série B através do Osasco e do Oeste de Itápolis. Mas se você vai fazer uma parceria só para usar o nome da Lusa, corre o risco de o clube não existir mais. Precisamos montar um time e continuar na A2 e na Série D. Se for uma forma de investimento, nós vamos conversar com o Mário Teixeira (dono do Audax). Se for para apenas usar a marca, não interessa. Reitero, no entanto, que eu particularmente ainda não tive contato, ninguém me procurou.

Existem outros tipos de parceria à vista, além do Audax?
Existem pessoas que querem ser parceiras. Não tomei a decisão da comissão técnica por isso, pois se anunciasse logo após ganhar a eleição, poderia errar. Eu quero analisar friamente as possibilidades. Há sim empresas que querem investir em jogadores. Não estou dizendo que este será o modelo de parceira, mas temos algumas possibilidades.

Apesar da crise, a Portuguesa precisa triunfar, especialmente na Série D, ou correrá o risco de ficar fora de competições nacionais em 2018...
Este risco acontece sim. Primeiro vamos tentar o acesso na A2. Vamos disputar a Copa do Brasil e também a Copa Federação Paulista de Futebol, que dá uma vaga na Série D de 2018, caso aconteça a tragédia de não conseguirmos voltar para a Série C. Temos de tentar garantir o calendário.

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