Ex-árbitro relembra carreira de Margarida

Daniel Pomeroy falou sobre o juiz Jorge Emiliano, cuja morte completou 20 anos em 2015

No dia 21 de janeiro desde ano, o falecimento de uma das figuras mais folclóricas do futebol brasileiro completou 20 anos. Não se trata de nenhum jogador ou técnico, mas do árbitro Jorge Emiliano dos Santos, conhecido como Margarida. O programa Comendo a Bola, da rádio Bradesco Esportes FM Rio, conversou com o ex-juiz Daniel Pomeroy para relembrar a carreira do seu companheiro de profissão.

Homossexual assumido e com um estilo repleto de movimentos característicos, Margarida começou a apitar em partidas de 11 contra 11 do futebol de praia em 1968. Ele ganhou fama e reconhecimento, passou a ser chamado para eventos pelo país e conseguiu chegar ao futebol profissional em 1988, quando estreou em uma vitória do Flamengo sobre o Volta Redonda por 3 a 1, na Gávea. José Emiliano também chegou a ser jurado de programas de auditório e comentarista em duas rádios.

Pomeroy lembra que em muitas das partidas amistosas que Margarida arbitrava, o juiz era a maior estrela.

“É um árbitro folclórico, que em todos os jogos que arbitrava na praia o público lotava. Ele era a estrela do espetáculo, 99,99% das pessoas não iriam se não fosse por ele”, recordou o ex-juiz.

Daniel Pomeroy acredita que seria difícil que um árbitro homossexual conseguisse ter êxito nos dias de hoje. No entanto, ele destaca o poder de Margarida em analisar o ambiente em que estava e se comportar de acordo.

“Hoje em dia eu acho um pouco difícil. Pelos atos discriminatórios de algumas pessoas eu acho que ele talvez não tivesse sucesso. Ele era tão inteligente que sabia se adequar a cada partida, a cada local, a cada estádio e a cada público que comparecia. Se ele estivesse vivo e tivesse condições físicas e técnicas, ele certamente iria se adequar ao momento atual do nosso mundo em relação a esses atos”, disse.

A figura de Jorge Emiliano está repleta de lendas e acontecimentos curiosos. E Pomeroy citou um deles.

“Uma vez ele estava arbitrando nos estádio Figueira de Melo, pela segunda divisão, e ele deu um cartão amarelo para um jogador que para ele era bonitinho. E o público lá de fora ficava dizendo ‘ele deu o cartão com telefone dele’”, comentou Daniel Pomeroy.

Compartilhar

Ler a notÍcia completa

Deixe seu comentário