Diretor de performance do IAE diz que Brasil e Austrália devem dominar o surfe em Tóquio

Chris O´Brien alertou que os atletas vão precisar se adaptar as condições das ondas em Chiba

A disputa do surfe em Tóquio é a mais aguardada por Chris O´Brien, vice-diretor de performance do Australian Institute of Sport (Instituto Australiano de Esporte - IAE). O dirigente vê com bons olhos a inclusão de novas modalidades no programa olímpico.

O treinador olímpico de remo mais bem-sucedido da Austrália, que estará no Brasil na próxima semana para participar da primeira edição do Congresso Olímpico, organizado pelo COB, prevê uma batalha entre velhos conhecidos na água asiática. O evento acontece no dia 13 de abril em WTC Events Center, em São Paulo.

"Estou ansioso para assistir as provas de Surfe nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Em 2018 os onze eventos para homens da Liga Mundial de Surfe foram compartilhados por dois países – Austrália e Brasil. Tivemos apenas cinco vencedores de eventos no ano passado, quatro brasileiros e um australiano. Gabriel Medina conquistou o título geral com o australiano Julian Wilson chegando em segundo lugar. Os Estados Unidos também tiveram um bom desempenho", explicou.

O´Brien ressaltou que os surfistas vão precisar de adaptação rápida as condições da disputa no Japão. "Os fatores mais importantes para Tóquio serão as ondas em Chiba e a melhor adaptação a essas condições. Todos os principais surfistas se classificarão através da Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês). Isso cria a oportunidade de um surfista menos conhecido destacar-se em Tóquio em um único evento independente", comentou.

"Um outro desafio que precisaremos enfrentar em Tóquio será o horário das transmissões pela televisão. Existem no surfe vários dias de descanso sem atividades. O tempo limitado para os Jogos significa que qualquer coisa que pareça “surfável” indica que teremos competição", enumerou.

O diretor de performance do AIS se mostrou favorável a entrada de novas modalidades no programa olímpico: "Obviamente os esportes que estão entrando agora pretendem captar um público de “novos” jovens. Isso é uma coisa que vamos continuar a assistir enquanto o Esporte Olímpico tenta manter sua relevância e acompanhar o ritmo de novos eventos esportivos através da inclusão desses eventos nos Jogos Olímpicos. O desafio de se manter ou aumentar sua relevância será enfrentado pelos nossos esportes olímpicos tradicionais. Com um número máximo definido para os Jogos cada vez que uma nova modalidade é incluída aumenta a pressão sobre o número de atletas que praticam o Esporte Olímpico tradicional".

Veja mais trechos da entrevista:

O que você pode nos dizer sobre a situação dos esportes Olímpicos na Austrália?
Temos muitas esperanças em relação aos Jogos de Tóquio; 2019 nos dará uma boa noção dos esportes que terão atletas capazes de brilhar nas competições olímpicas.

Li um artigo que afirmava que o Comitê Olímpico Australiano deixou de mencionar o número de medalhas conquistadas em uma edição dos Jogos Olímpicos. Que não se pode medir o trabalho desenvolvido apenas através da conquista de medalhas. Achamos que essa era uma declaração interessante. Quais seriam os seus comentários sobre o assunto?
Na Austrália existe também a preocupação com uma agenda mais ampla para a saúde e a atividade física. O Esporte de Alto Desempenho é visto como um mecanismo para inspirar a vida de outros australianos, e esperamos que isso inclua a participação na atividade física. Tenho certeza que o resultado em termos de medalhas é importante, mas não será relevante se a nossa participação nessas atividades não for capaz de produzir um impacto positivo sobre outros australianos.

Como o esporte australiano é financiado? Você poderia explicar o Sistema de Esportes no seu país?
Na Austrália são várias as fontes de recursos para o esporte. Entretanto, não há dúvida de que o Governo da Austrália e os vários governos estaduais são os principais financiadores do Esporte Olímpico. O esporte profissional, como por exemplo, o Futebol Australiano (Australian Rules Football) ou Liga Australiana de Rugby (Rugby League) é capaz de gerar apoio significativo do mundo corporativo. O esporte profissional recebe apoio do governo através do financiamento de infraestrutura e participação. Embora o Esporte Olímpico também atraia o apoio das empresas, esse apoio é relativamente pequeno comparado com o do governo. Até certo ponto, a maioria dos esportes também atrai recursos financeiros através das taxas de filiação às suas federações.

Você tem acompanhado o remo brasileiro? Você destacaria algum atleta especial?
Eu acompanho o Remo Mundial como um todo. O Brasil tem uma atuação de destaque no Remo Paralímpico, com 5 primeiros lugares no Campeonato Mundial de 2018. Em relação aos barcos de classe olímpica será interessante observar o progresso de Milena Viana, atleta de 21 anos, que compete na categoria single scull para mulheres. Esse é um evento difícil e ela precisará terminar a prova entre as 9 primeiras colocadas no Campeonato Mundial para conseguir a classificação direta para os Jogos. Para ela este será um grande progresso considerando-se sua posição no 19º nono lugar no ranking em 2018. Uma classificação entre as 5 primeiras na Regata Continental Classificatória parece ser viável e muito provável.

Na nossa Seleção Nacional de Patinação temos 3 atletas na faixa de 3 a 11 anos. O que você acha dessa nova geração já estar competindo em Esportes de Alto Desempenho?
Com a inclusão do Skate no Jogos temos agora vários atletas mais jovens competindo por uma vaga.

O skate é tão popular no Brasil que será muito interessante ver se algum destes jovens skatistas vai conseguir se classificar para os Jogos.

Nas provas para homens com a presença de atletas como Pedro Barros (com 24 anos) Campeão Mundial da modalidade Park e outros fortes concorrentes como Luan Oliviera (28) e Kelvin Hoepfler (26) os jovens skatistas terão dificuldade em se destacar.

Entre as mulheres há também excelentes atletas brasileiras. Leticia Bufoni (25) já está brilhando no skate feminino, e certamente irá liderar a classificação para o Jogos. Yndiara Asp talvez seja a melhor opção para o Park. Considerando que só agora o skate feminino começa a se destacar em comparação o com masculino, talvez seja nesta área que alguns dos jovens skatistas encontrem a melhor oportunidade de brilhar.

Será difícil competir com os Estados Unidos no skate já que eles podem escolher entre um grande número de skatistas de qualidade, mas se há um país capaz de vencê-los, esse país é o Brasil. Os japoneses também estão desenvolvendo alguns atletas de ótima qualidade.

Quais são as expectativas da Austrália para Tóquio 2020?
A Austrália vem passando por uma mudança sistêmica nos últimos seis anos. Espero que algumas dessas mudanças estejam começando a surtir efeito, e que possamos começar a reverter a tendência dos resultados. Isso nos permitirá ver a Austrália melhorar seu desempenho, saindo do 10º lugar no quadro de medalhas.

A Austrália tem algum programa especial para o Atletismo?
A Austrália tem uma longa tradição no Atletismo. Temos vários atletas que quando chegar sua hora terão potencial para conquistar medalhas para a Austrália. Entretanto estamos bem conscientes de que ainda estamos a uma certa distância dos Jogos de Tóquio. Os Campeonatos Mundiais que serão realizados ao longo deste ano nos darão a melhor indicação dos atletas com potencial para conquistar medalhas em Tóquio. As lesões são fatores importantes que esperamos poder evitar.

Estamos focados em dar suporte aos atletas e treinadores com potencial de medalhas nas competições.

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