Euller revela que previu gols contra o Flamengo; Band exibe virada histórica do Palmeiras

Filho do Vento relembra virada histórica do Palmeiras em que foi protagonista

“Eu vou decidir essa partida e como prova disso eu vou colocar duas camisas, para jogar uma para a torcida e você vai ser testemunha”. Predestinado e vidente, Euller, ex-atacante do Palmeiras e protagonista em uma das maiores viradas da história do clube, revelou em entrevista exclusiva que já sabia que iria decidir as quartas-de-final da Copa do Brasil de 1999, contra o Flamengo.

Neste domingo, às 14h, a Band reprisa a histórica virada do Palmeiras sobre o Flamengo, em confronto válido pela fase de quartas-de-final da Copa do Brasil de 1999, no quadro Você Torceu Aqui. O Verdão venceu aquela partida por 4 a 2, com dois gols de Euller, no fim da partida.

A transmissão vai contar com a narração original feita por Luciano do Valle e reportagens de Antônio Petrin e Márcio de Castro.

Euller conta que a vitória na partida era essencial para renovar o ânimo da equipe, que vinha de duas derrotas em clássicos, para São Paulo e Corinthians, além de ter perdido para o Flamengo, por 2 a 1 no primeiro jogo daquela decisão.

“Nós estávamos em um ano, em um momento em que, embora todos os campeonatos sejam importantes, o foco principal era a Libertadores. Nós ficamos 21 dias concentrados para um monte de partida, sabedores de que todos os jogadores seriam aproveitados nas três competições, mas o principal era a Liberadores. Então tudo foi feito foi em cima da Libertadores e, não menosprezando as outras competições, sabíamos também que, nessa competição, uma derrota poderia prejudicar. Mas a gente tinha um time muito experiente. Mantivemos o foco e conseguimos essa virada espetacular contra o Flamengo, o que nos trouxe a autoconfiança para dar continuidade no trabalho”, conta Euller.

Além de ter brilhado dentro dos gramados, Euller poderia ter se arriscado como vidente. O ex-atacante revelou que previu que iria decidir a partida.

“Esse jogo, para mim, foi memorável. Eu estava muito pilhado, estava muito afim de ajudar o Palmeiras, de ajudar o grupo. Vinha de uma recuperação de ligamento cruzado, então estava entrando nos jogos pouco a pouco. Especificamente esse jogo, além de pilhado, eu estava muito confiante e espiritualmente bem. Comentei com o Sérgio tudo isso, ali no intervalo mesmo, perdendo de 1 a 0: ‘eu vou decidir essa partida e como prova disso vou colocar duas camisas, para jogar uma para a torcida e você vai ser testemunha’. Por isso que, após o segundo gol, eu vou para a arquibancada e tiro a camisa e jogo uma para a torcida. Na hora até saiu as duas e o arbitro veio falar que eu podia ser expulso, mas na verdade eu estava com duas camisas. Particularmente, eu estava bem focado, confiante que eu iria decidir. Tanto que eu faço o primeiro gol e tudo que eu queria era pegar a bola. A prova maior, que foi uma benção de Deus, foi eu fazer dois gols de cabeça. Eram 22 jogadores dentro da área, nos dois lances, e acabou culminando em dois gols”, revelou o “Filho do Vento", como era chamado.

Um detalhe daquela partida, que passa desapercebido por muitos, é que Euller não entrou apenas no fim da partida, para ver o que aconteceria. O atacante substituiu o lateral Arce, logo na volta do intervalo

“Parece que todos acham que eu entrei no finalzinho. Mas não, eu entrei logo no início do segundo tempo, no intervalo e a gente não via a eliminação ali ainda. Tinha tempo para resolver a partida, para poder mudar o jogo. Tanto que eu faço a jogada, chuto e a bola sobra para o Oséas empatar o jogo”, lembra Euller.

Time da virada

O atacante também conta que a partida se tornou especial para ele: por ter sido protagonista, pelo ambiente e o desenrolar da partida

"Tem vitórias e vitórias, em determinados momentos. E esse foi um momento especifico porque fui protagonista dos dois gols que deram a classificação. Eram quartas-de-final, um jogo contra o Flamengo, no Parque Antártica, que antecedia a Libertadores, aquelas coisas todas. Tornou-se um jogo histórico. Tão importante, também, a figura do Enzo, o torcedor chorando na arquibancada. Tudo isso se transformou em um vídeo motivacional, que era passado dentro do vestiário nos jogos da Libertadores, no momento do aquecimento, com o hino do Palmeiras", conta.

Aquele elenco ficou conhecido como o time da virada, pela campanha na Copa do Brasil e também pela campanha na Libertadores, onde o clube se sagrou campeão após reverter resultados adversos em vários confrontos.

"Nós éramos o 'time da virada'. Nós sabíamos da qualidade do elenco, da qualidade do time e da qualidade do treinador. Era um grupo fechado. Formou-se realmente a 'família Felipão', e apostamos tudo aquilo que foi colocado para nós, para ter a confiança de reverter alguns resultados. Tanto que em algumas das partidas a gente jogava até para perder de 1 a 0. A gente tinha certeza que poderia reverter o resultado em casa. Esse foi, sem dúvida nenhuma, um time espetacular, quanto à união e comprometimento um com o outro, independentemente da fama”, contou Euller, hoje treinador do Safor Club, da sétima divisão do futebol espanhol e onde estuda para tirar a licença A no curso de treinadores da UEFA.

Compartilhar

Ler a notÍcia completa

Deixe seu comentário