Tamanho de fonte
Atualizado em sexta-feira, 31 de outubro de 2014 - 20h22

Júnior detona confederação de beach soccer

Ex-jogador questionou destino de recursos e disse que entidades não se preocupam com desenvolvimento do esporte
Júnior defendeu a Seleção entre 1993 e 2001 / Reprodução Júnior defendeu a Seleção entre 1993 e 2001 Reprodução

    Ouça também

  • Ouça a entrevista completa de Júnior

Ex-jogador de futebol e beach soccer e atualmente comentarista, Júnior não poupou críticas à Confederação Brasileira de Beach Soccer (CBBS) e à empresa Koch Tavares, responsável por organizar eventos da modalidade. Em entrevista ao programa Papo de Esporte, da rádio Bradesco Esportes FM Rio, ele acusou as duas partes de pensarem somente no interesse individual, e não no desenvolvimento futebol de areia.

 

“Eu me afastei em 2001 porque vi que não existia desenvolvimento nenhum. Na época, pensando lá na frente, eu quis tomar conta da Federação Carioca. Eu tinha acabado de deixar o futebol e ainda tinha portas abertas para arrumar patrocínio e fazer o desenvolvimento de todas as categorias e também do futebol feminino. Simplesmente eles disseram que não, que já tinham uma pessoa. Essa pessoa era o Paulo Cézar Fernandes, que começou como boleiro, passou a supervisor e terminou como presidente da Confederação Brasileira. Ele saiu sem dar explicação de uma quantidade muito grande da parte financeira que foi extraviada”, afirmou Júnior, que avançou nos questionamentos sobre o destino do dinheiro recebido pela confederação.

 

“Eu tenho uma pergunta a eles: onde foram colocados todos esses recursos que a confederação recebia? Vou dizer uma coisa, a Nike tem mais de um ano que não paga, e não vai pagar, porque ela não sabe qual é o destino desse dinheiro. E todos os outros patrocinadores também não devem saber qual é o destino. Cadê um balanço? Nunca foi colocado”, acusou.

 

Para o ex-jogador, a Koch Tavares também não se preocupa em destinar os recursos que recebe para o desenvolvimento e promoção do esporte.

 

“Houve uma reunião para definir o Mundialito que deveria começar na semana que vem no Rio de Janeiro. Pelo que sei, a Koch Tavares recebeu em patrocínios no ano de 2014 em torno de R$ 4,5 milhões a R$ 5 milhões. Eles tiveram a cara de pau de dizer que não tinham dinheiro para fazer o Mundialito. Minha grande pergunta é: qual é o destino que dão para esse dinheiro do beach soccer? Mas ninguém presta conta de nada, nunca vi nenhum balanço disso”, afirmou.

 

A relação entre Júnior e a Koch Tavares não é boa há tempos. Ele inclusive disse que a empresa já chegou a pedir sua demissão.

 

“Quando já havia deixado o esporte, estava comentando um jogo no Rio de Janeiro pelo SporTV. Falei algumas coisas que eram sensíveis aos ouvidos deles da Koch Tavares. Eles tiveram o despeito de ligar para o meu chefe pedindo para cortar minha cabeça, que eu não poderia estar ali. Então você já viu como o jogo é sujo e barato pela parte deles”, relevou.

 

Para Júnior, existem duas maneiras de resolver a situação do beach soccer no Brasil.

 

“Ou a CBF toma parte nisso, porque ela tem uma parcela de culpa por ter botado debaixo do braço essas pessoas. Ou então você cria uma liga com os clubes”, sugeriu o jogador, que defendeu que se tome alguma medida sobre o caso. “Caberia uma intervenção. É preciso que as pessoas tomem conhecimento disso, porque é impossível continuar assim”.

 

No final do programa, Júnior disse que gostaria que a CBBS e a Koch Tavares respondessem às acusações, mas achou difícil que isso aconteça.

 

“Eles não vêm (aqui no programa),eles vão se esconder. Eles não têm honra, caráter para sentar aí e explicar tudo o que está acontecendo desde 1993. Não adianta esperar algo de quem está no comando hoje”, concluiu.

 

A reportagem procurou as três partes citadas por Júnior. CBF e Koch Tavares preferiram não se manifestar. O atual presidente da CBBS, Ricardo Ribeiro, não atendeu as ligações.