A década de 50 foi fundamental para o crescimento do atletismo no Brasil. Os bons resultados de José Telles da Conceição e Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico, fizeram com que a modalidade fosse respeitada no país. Um dos grandes nomes dessa geração é a corredora Wanda dos Santos. Em entrevista ao Portal da Band, ela relembra momentos marcantes em Jogos Olímpicos.

"Eu tenho uma grande marca no atletismo. Em 1952, na primeira vez que participei, foi muito marcante estar presente com Adhemar Ferreira da Silva e vê-lo ganhar no salto triplo e o Telles da Conceição no salto em altura. Eu fui para a final do salto em distância. Foi tudo marcante, maravilhoso".

Nascida em 1932, Wanda dos Santos começou a correr nas pistas da escola e no Clube Atlético Ypiranga. O ótimo desempenho a levou para o Palmeiras e, na sequência, para o São Paulo. O clube era o grande destaque do atletismo brasileiro e tinha como treinador Dietrich Gerner, referência no esporte.

"Nós competíamos em pista de carvão. Hoje é tudo diferente. Você tinha que treinar muito. Eu fui muito bem treinada pelo Dietrich Gerner. Tudo que eu pensei em realizar foi realizado. Foram 84 anos bem vividos. Apesar de ter ficado doente, mas já estou me recuperando. Graças a Deus ficou tudo bem".

A corredora disputou as Olimpíadas de 1952, em Helsinque, e 1960, em Roma. Mesmo sem a conquista de medalhas, Wanda conta que a competição lhe traz a lembrança de uma grande adversária.

"Eu competi com a mãe do Carl Lewis (Evelyn Lawler). Nos 80 metros com barreira em Roma. Também competi no campeonato mundial de veteranos em Durban. Também disputei contra ela no revezamento 4x100", relembra.

"Tenho muita saudade. Deixei muitos amigos. Nós no atletismo éramos muito companheiros. Hoje em dia é muito difícil você ver os atletas sendo amigos. Nós sempre fomos próximos. Dentro da pista era diferente, nós éramos competidores. E fora dela sempre fomos amigos, até hoje". Completou a corredora, que disputou quatro edições dos jogos pan-americanos.

Na primeiro Olimpíada em que participou, Wanda chegou ao segundo lugar na 6ª série disputada em Helsinque. A brasileira obteve a marca de 11 segundo e 3 milésimos na corrida de 80 metros com barreiras, modalidade que não obteve continuidade.

"Não tinha dinheiro. Não adiantava nem pensar em dinheiro, ninguém nos oferecia nada. Não nos deram nem sapato de prego. O meu foi feito pelo Genzo Hara, foi ele que fez. Só ele me ofereceu material. Foi o que eu usei em Helsinque e bati o recorde sul-americano. Por um milésimo que eu não fui para a final".

Wanda dos Santos foi homenageada em evento na capital paulista

Wanda foi homenageada em evento na capital paulista. Foto: Weslley Neto/Portal da Band

Segundo publicação de Michael Serra, historiador do São Paulo Futebol Clube, Wanda enfrentou preconceito das concorrentes durante os jogos de Helsinque. As outras competidoras se recusavam a chegar perto ou tocar na brasileira pelo fato dela ser negra.

"Se eu deixasse de competir hoje, com todos os títulos que tenho, estaria bem de vida. Eu sou 7 vezes campeã sul-americana e vice-campeã pan-americana após participar de 4 edições. Também sou 26 vezes campeã do troféu brasil, 9 vezes campeã brasileira, bicampeã mundial e bicampeã dos jogos ibero-americanos".

Sobre a expectativa de medalhas no Rio 2016, Wanda foi direta: "Eu não sei. Eu espero e torço muito para isso, mas é difícil. Assisto, acompanho e gosto. Eu amo o atletismo".

A ex-corredora afirma que sua história é respeitada. "Até que eu sou bem reconhecida, estou sendo entrevistada por você e fico feliz. Você está sentado ao meu lado. Eventos como esses são muito importantes para nós, ex-atletas".

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